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Terça-feira, Junho 26, 2007

A Prima

Saí de casa com a ideia de comprar pão quente. Além disso, a caminhada até à padaria era bem boa...
Foi ela que me viu na rua e veio ter comigo com uma conversa estranhíssima que a princípio não entendi. Parece-me que era isto: a mãe dela queria que ela se casasse e arranjou-lhe um noivo brasileiro com quem a casou por procuração. Só o conhecia por fotografia - 'um rapaz alto e bonito...'
Pagaram-lhe a viagem e lá foi ela de barco a ter com o 'marido' no Brasil.
Quando lá chegou foi um choque. O sujeito era 'baixinho e feio que nem um cão' (sic) e ela recusou-o mesmo ali no cais de embarque. A coisa meteu polícia... e ela acabou por ser levada para um convento onde se refez do choque em três dias de repouso...
Diz que o meu avô ainda lhe perguntou se precisava de dinheiro para a vinda... mas não foi preciso.( sim, porque ela diz ser ainda minha prima...)
Quando chegou novamente a casa da mãe, vieram umas freiras a ver se ela era ainda virgem... e o Papa pagou até cem contos para o tribunal lhe anular o casamento...
(Isto era no tempo do Salazar - diz ela no fim de cada frase.)

Pode-se?

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Conversa

Que havia eu de dizer ao Zé 'Pisco' quando ele me perguntou se por acaso eu não era a mulher do meu avô?!
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Segunda-feira, Junho 25, 2007

A alma da casa

No cofre grande e pesado do escritório do meu avô encontro, mesmo no último dia, os bilhetes de identidade deles. Data de nascimento mais recente: 1886...dia 10 de Abril.
Pronto, agora já podia descansar.
Limpei o pó que havia neles e meti-os na gaveta.
A alma daquela casa podia finalmente deixar de me perseguir nos sonhos que me arrancavam as entranhas.

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