interiors

Quarta-feira, Março 21, 2007

O inverno voltou. Pensei que já podia ir lavando as roupas de inverno para serem guardadas devidamente até ao próximo ano, mas o tempo fez-nos a partida e voltei a agarrar nos casacos quentes e nas camisolas de gola alta...
O barulho do vento faz-me sentir o aconchego da casa e enche-me de uma saudade das coisas que não sei.
Fecho as janelas e fico a olhar para o baloiçar dos ramos e enrolo-me numa saudade antiquíssima.
Dizem que é da posição da lua em relação à terra...
Não sei...
O que tem isto a ver com o que eu sofro ou sinto?

Etiquetas:

Sábado, Março 17, 2007

DIAS TRANQUILOS

Tenho andado indecisa...tantas coisas que deveria fazer e que se vão arrastando dia após dia sem que eu tenha vontade de começar... Digo a mim própria que não pode ser assim, que tenho que tocar a vida, que...que...que... (frases feitas sem significado nenhum).

Entretanto vou disfrutando destes dias amenos, deste prazer de andar a pé, de olhar as coisas como se nunca as tivesse visto.
E de certo modo é sempre a primeira vez...

Há dias estive numa praça, das muitas que há em todas as zonas velhas das cidades. São praças sombreadas por árvores centenárias; as pessoas vêm para as portas, ao cair das tardes falando das coisas quotidianas, das suas vidas,e do que pensam delas...

Estive lá até mesmo ao escurecer.

As empregadinhas das lojas cruzavam a praça, apressadas, nos caminhos de regresso a casa.Havia cães por ali deitados, sob o olhar indulgente dos donos. As crianças passavam pela mão das mães,num silêncio cansado de brincadeiras.

Não posso dizer que estivesse só...

Etiquetas:

Sexta-feira, Março 09, 2007

tarde

Está um ar morno...

Vou dar um passeio a pé até ao rio.

Etiquetas:

No parque, o sol faz despontar as primeiras folhas nas árvores...
Mas ainda há folhas velhas que persistem em se agarrar aos ramos...

Sábado, Março 03, 2007

Os fantasmas

O pior de tudo são os suicidas...
Esses não nos deixam esquecer... A gente procura viver o presente, mas somos de perto seguidos pelas suas caras, por aqueles olhares sofridos.

Quando o António disse ' então, adeus' em vez de 'até amanhã', eu devia ter pensado que esta era uma verdadeira despedida, que nunca mais o veria...
Mas não, não pensei.
Naquela altura foi mais importante o meu cansaço depois da longa conversa que tinhamos tido. Não o cansaço dele, mas o meu...

E, contudo, não era para isso que eu ali estava. Não era para ligar ao que se passava comigo, mas com ele. Não soube conter o impulso daquela agressão (o esquecimento), que lhe custou a vida.
Por isso os seus fantasmas me perseguem - dois ou três, que ao longo da minha vida não pude salvar...


Como eu odeio esta luta com a morte, votada, tantas vezes, ao fracasso!
Como eu odeio aquela imagem que ela me força a ver em vez daquela coisa idealizada que eu gostaria de pensar que sou!...