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Sábado, Março 03, 2007

Os fantasmas

O pior de tudo são os suicidas...
Esses não nos deixam esquecer... A gente procura viver o presente, mas somos de perto seguidos pelas suas caras, por aqueles olhares sofridos.

Quando o António disse ' então, adeus' em vez de 'até amanhã', eu devia ter pensado que esta era uma verdadeira despedida, que nunca mais o veria...
Mas não, não pensei.
Naquela altura foi mais importante o meu cansaço depois da longa conversa que tinhamos tido. Não o cansaço dele, mas o meu...

E, contudo, não era para isso que eu ali estava. Não era para ligar ao que se passava comigo, mas com ele. Não soube conter o impulso daquela agressão (o esquecimento), que lhe custou a vida.
Por isso os seus fantasmas me perseguem - dois ou três, que ao longo da minha vida não pude salvar...


Como eu odeio esta luta com a morte, votada, tantas vezes, ao fracasso!
Como eu odeio aquela imagem que ela me força a ver em vez daquela coisa idealizada que eu gostaria de pensar que sou!...