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Quinta-feira, Maio 25, 2006

dificuldades

Isto de só haver um computador cá em casa para duas pessoas cria por vezes dificuldades...
Às vezes apetece-me escrever qualquer coisa mas tenho aqui um filho que não faz mais nada que navegar na internet e então não é possível... e quando posso, é normalmente tão tarde que já não me apetece.
Nos próximos dez dias vai ficar tudo para ele e eu vou pôr-me a milhas, pessoal, por detrás dos montes a ver se recupero nas minhas origens a energia que tenho perdido pouco a pouco...
Talvez traga fotografias do Norte profundo.

Domingo, Maio 21, 2006

estes últimos dias

estes últimos dias têm sido de silêncio. enrolo-me sobre mim própria e fico simplesmente a ouvir o mundo passar mesmo ao meu lado. às vezes preciso disto. é quase como deixar de existir...
estou a pensar ir até à minha aldeiazinha lá no norte. talvez um sonho me revele o que esta escuridão anda a esconder.

Sexta-feira, Maio 12, 2006

Bons dias

O melro, eu conheci-o!
Era negro, vibrante, luzidio
madrugador jovial.
E logo de manhã cedo, começava a soltar de entre o arvoredo,
verdadeiras risadas de cristal.
e assim que o padre cura abria a porta que dava para o quintal
o melro de entre a horta, dizia: 'bons dias'
e o velho padre cura não gostava daquelas cortesias ....

(os intelectuais que me desculpem - o poema foi escrito de memória e não sei se não o adulterei)

Mas eu não sou como o velho padre do Guerra Junqueiro. Por isso, quando vou para o parque com o Beethoven, deleito-me com os bons dias de um pequeno melro, "negro, vibrante e luzidio", que me espera sempre no mesmo sitio com um chilrear puríssimo na frescura da manhã...
E atraso-me um bocadinho para poder ouvi-lo até ao fim...

Domingo, Maio 07, 2006

Dia da Mãe

O sorriso terno com que a minha Mãe me fita da moldura colocada na cómoda do meu quarto!...

Eu nasci numa casa. Na casa do meu avô materno.
O quarto onde nasci ainda conserva hoje algumas coisas do quarto de então - a cómoda grande de madeira escura, a bacia e o jarro da água, em porcelana, com desenhos de outros tempos, a saboneteira onde havia sempre o mesmo cheiro...
O quarto fica no centro da casa. A janela não dá para a rua, mas para uma varanda comprida, cheia de janelas como uma marquise. Para o quarto ia-se pelas salas - a sala de jantar e uma outra (como uma antecâmara) mais pequena, que o meu avô mais tarde chamou a sala do meu retrato.
Foi no princípio do Verão, já havia cerejas nos Vales...
Quem me aparou foi o meu pai, ajudado pelas mãos da senhora Conceição, sábias da prática de toda a vida.
Caí num pano de linho onde me embrulharam, tecido pela minha avó, escaldado e rescaldado nas barrelas de cinza com cheiro a rosmaninho...
Daqui, meu filho, comecei a descobrir o mundo e a tentar encontrar o sentido da vida...

Quinta-feira, Maio 04, 2006

?

Alguém quer uma valente dor de cabeça?

Não sei o que está a acontecer-me, mas desde há uns tempos que tenho dores de cabeça quase todos os dias.
Ando aborrecida, não me apetece fazer nada, tudo me enerva.
Mas o que é que eu tenho?

Segunda-feira, Maio 01, 2006

o dinheiro

A verdade é que dizem que o dinheiro não dá a felicidade, mas este é um provérbio de quem tem muito dinheiro... O dinheiro pode tornar a vida bem mais fácil e agradável...
Se eu tivesse muito dinheiro... podia ter, por exemplo, uma casa maior, com uma divisão que fosse só biblioteca, com estantes boas, fechadas, onde os livros pudessem estar longe do pó e das traças, estantes que iriam até ao tecto, para poder ter tudo ao pé de mim e reler alguns deles quando me apetecesse...
Assim, tenho umas estantes mais ou menos rascas, espalhadas pela sala, pelo hall e pelo meu quarto e o do Bruno, abertas, onde a poeira se vai acumulando durante um ano inteiro até às sucessivas primaveras, altura em que tiro tudo, limpo e volto a reorganizar ...
Venho fazendo isto ao longo dos anos, desde a altura em saí da companhia dos meus pais...
Se eu tivesse muito dinheiro, não estaria cansada como estou nem teria que ir trabalhar amanhã...
Pedia uma licensa sem vencimento, deixava as empregadas tratarem da limpeza da minha casa e iria gozar a primavera para onde as primaveras fossem bonitas e a vida agradável...
Assim, não acredito nada nos ricos. São uns aldrabões!
Assim, ando por aí a revolver as minhas náuseas e a elaborar as angústias dum quotidiano de merda.
As esquinas...