Bom, agora que já se calaram mais com os protestos contra os cartoons, podemos pensar com calma na gripe das aves...
Este mundo é ao mesmo tempo inquietante e cómico. De cada vez que ouço dizer nas notícias da televisão que morreu mais um pato bravo na China ou noutro longínquo lugar, não posso evitar de fazer um sorriso (amarelo). A mundialização tem destas coisas...
Se eu desse diariamente estas notícias ao meu avô, ( dos patos bravos que morrem algures na terra), acho que ele me olharia com um ar perplexo e ficaria bastante inquieto com a minha saúde mental.
Como tudo mudou!...
Eu também tive, na minha adolescência, uma gripe a que chamavam ' a gripe asiática '. A minha irmã teve esta gripe aí uns oito dias; mas eu, que apesar de ser magrinha era muito rija, só a tive um dia. Comecei de manhã com bastante febre e assim me mantive até à noite.
Nem sequer pude ficar na cama. Foi precisamente no dia em que o Bispo de Bragança, que resolveu visitar todas as dioceses do distrito, ia almoçar a casa da minha tia, numa aldeia perdida na serra, almoço que se dizia de cerimónia. Como toda a família estava presente, eu tive que acompanhá-los, embora, devido à minha doença, fosse dispensada de ir para a mesa e tivesse almoçado na cozinha, à lareira, bem agasalhada.
E o fru-fru que antecedeu o almoço!...
A minha tia, que era maluca, desatou a bordar cortinados para enfeitar as janelas no dia em que o Bispo chegasse. Ela e as suas raparigas do atelier de costura não tinham mãos a medir...
Mesmo assim não acabaram a tempo e a minha tia resolveu, apesar de tudo, colocar os ditos cortinados com os bordados a meio e os fios pendurados por ali a baixo...
Por isso, quando me falam dos patos que morrem na China, dá-me cá uma vontade de rir...