Domingo, Janeiro 29, 2006
Esta terra irrita-me. Em vez de neve há chuva e faz um frio morno que enregela os ossos porque é húmido.
hoje estou cansada de mim própria.
Terça-feira, Janeiro 24, 2006
Desistência
Acho que fiquei doente com a reunião que hoje tive com a D. E------.
A questão das comidas sempre foram um motivo de discórdia nos hospitais. Os que levam comida para casa, os que roubam os doentes nas ceias e nos lanches, as diferenças entre doentes e funcionários...enfim, clivagens, clivagens, clivagens.
Estou cansada disto tudo. Quero ir-me embora daqui. Acho que já mereço a reforma.
Não quero saber mais. Quero ir para casa e viver a minha vida de pequena burguesa provinciana, como os meus pais e os meus avós.
O mundo é para quem o conquista e não para quem sonha. Sei que nunca serei uma conquistadora. Por isso não quero saber mais nada.
«Olhos que não vêem, coração que não sente» diz o povo.
Segunda-feira, Janeiro 23, 2006
Pronto, vão ser mais cinco anos a servir o sr. Silva.
Fiquei deprimida. Não vou acrescentar mais nada.
Fiquei deprimida. Não vou acrescentar mais nada.
Domingo, Janeiro 22, 2006
Os óculos
não, ainda não fui votar...
quando tinha doze anos, estava a passar as férias grandes em casa do meu avô, numa aldeia perdida de Trás-os-Montes, quando começaram a dizer que ia haver cinema.
O cinema era na garagem dos bombeiros, que as pessoas (não sei quem) adaptavam, com um lençol branco a servir de ecrã, e o público que comprava o seu bilhete com antecedência, tinha que levar uma cadeira de casa para ver o filme sentado. É escusado dizer que só havia cinema no verão...
O filme desse dia chamava-se «Marcelino, pan e viño». Nunca mais me esqueci. Não consegui ler legenda nenhuma e só percebi o filme porque este era falado em espanhol que eu traduzi como pude.
Foi neste filme que eu descobri que era míope e a partir daqui passei a usar óculos.
Nunca mais os larguei.
Agora o médico diz que tenho que ser operada às cataratas bi-laterais e que vai pôr-me umas lentes intra-oculares que me permitirão ver bem sem óculos.
Como é que será? Nem sequer consigo imaginar porque já não me lembro como era...
estava para nem escrever
estava para nem escrever nada, mas ...
Os dias têm-se passado entre afazeres quotidianos que não me deixam tempo para pensar muito nas coisas. Contudo, há sempre um fundo de inquietação.
Domingo, Janeiro 15, 2006
neve em bragança
O dia amanheceu de chuva. Possivelmente já choveu durante a noite, só que eu não senti nada, pois costumo dormir profundamente desde que me deito até de manhã.
Apetece-me enroscar-me no sofá, quentinha a ler um bom livro ou a fazer a minha camisola de lã.
O 'beethoven' também gosta da sala. Senta-se ao meu lado e dorme. Agora olha-me expectante, como quem diz 'então, não vens?'.
Lá longe na minha terra há neve. Quem me dera lá estar!...
Apetece-me enroscar-me no sofá, quentinha a ler um bom livro ou a fazer a minha camisola de lã.
O 'beethoven' também gosta da sala. Senta-se ao meu lado e dorme. Agora olha-me expectante, como quem diz 'então, não vens?'.
Lá longe na minha terra há neve. Quem me dera lá estar!...
(não, não era bem isto que eu queria, mas o que era não digo aqui).
Sexta-feira, Janeiro 13, 2006
Eu tenho um Skype!!!!Eu tenho um skype!! eu tenho um Skype!
Foi uma prenda de Natal dos meus sobrinhos. Estou mesmo contente por ter isto!
UAU!
Foi uma prenda de Natal dos meus sobrinhos. Estou mesmo contente por ter isto!
UAU!
Quinta-feira, Janeiro 12, 2006
apetites
Hoje apeteceram-me rojões.
Falta-me a lareira com brasas pouco vivas, a panela de ferro de três pés, o pauzinho de louro para os mexer e ficarem com o gosto...
Em vez disso tenho uma panela AMC e uma placa de vitrocerâmica...
Tudo o que me falta é para me fazer sonhar...
Segunda-feira, Janeiro 09, 2006
'o electrico'
se eu conseguisse meter-me na cabeça da tia do «eléctrico»!...
a tia diz que eram três irmãs, 'umas meninas muito prendadas'. o pai desapareceu sem deixar rasto e a mãe foi viver para casa dos próprios pais com as suas três filhas.'era uma casa de boas famílias, de muita educação'.
a mais velha casou com um homem que era empregado num banco. como era muito parada, pediu à irmã que a ajudasse a escolher a casa, o que ela (a tia) prontamente fez. depois pediu para ela escolher a mobília e decorar a casa e a seguir pediu que fosse viver com eles para lhe ajudar a criar o filho. a tia não quis casar, teve muitos namorados mas não escolheu nenhum...
a mais velha era muito parada...
assim nasceu o eléctrico, o 'Mário'. filho único, viveu sempre numa profunda solidão. tão funda que aos cinco anos, olhando para os carros eléctricos que lhe passavam à porta, começou a dizer que eles eram os seus irmãos e despedia-se com 'até amanhã, mano'.
as pessoas achavam graça.
conheci-o quando se tinha transformado, por uma metamorfose da alma, num daqueles carros que ele outrora sentia como irmãos.
quarenta anos depois humanizou-se. não é mais o 'electrico' que eu conheci.agora ele é a 'prometida'.a 'prometida' de alguém, talvez estrela de cinema, que há-de vir do Brasil, para 'a' levar consigo. está tudo emalado, á espera que ele chegue...
eram três irmãs, todas muito prendadas...
fins de semana
tenho andado tão ocupada com os meus afazeres cá de casa, que nem tenho pensado em escrever nada, ou melhor, tenho pensado mas não tenho conseguido fazê-lo. os dias do fim de semana são sempre poucos para aquilo que é preciso para manter uma casa minimamente em ordem.
Mas não é só isto, não é só isto. a morte do Emanuel deixou-me deprimida e também de certo modo desejosa desse último acto da nossa vida que é a participação (passiva, naturalmente) no nosso próprio enterro.
este fascínio da morte não me deixa apreciar muito o que a vida tem de bom. mas ainda bem que tive o fim de semana. ontem sentei-me no sofá e passei o dia a revolver este sentimento dentro de mim. só à noite consegui despertar para a vida prática e fazer qualquer coisa. mas hoje o meu segundo dia do fim de semana foi completamente diferente. trabalhei imenso e fiz «quase» tudo o que queria.
é uma sensação boa.
Quinta-feira, Janeiro 05, 2006
Quarta-feira, Janeiro 04, 2006
Morte
Quando escrevo 'morte' apetecia-me deixar tudo em branco.
Branco de vazio, branco de ausência, branco de saudade.
As pessoas pensam que o pior é o choque da notícia, as horas passadas ao lado do caixão, os beijos dos amigos, as flores que chegam, a despedida do funeral. Mas não.
Pior que isso é o regresso a casa. Pior ainda é o quotidiano de ausência, de vazio. Pior ainda é o esquecimento, esquecimento dos gesto, dos sons familiares, dos cheiros que um dia amàmos,da cara ausente.
Pior ainda é a vida continuar. A vida que nos arrasta e nos apaixona.
E nós, pobre de nós, que podemos fazer?
Que podemos fazer?
QUE PODEMOS FAZER?
Branco de vazio, branco de ausência, branco de saudade.
As pessoas pensam que o pior é o choque da notícia, as horas passadas ao lado do caixão, os beijos dos amigos, as flores que chegam, a despedida do funeral. Mas não.
Pior que isso é o regresso a casa. Pior ainda é o quotidiano de ausência, de vazio. Pior ainda é o esquecimento, esquecimento dos gesto, dos sons familiares, dos cheiros que um dia amàmos,da cara ausente.
Pior ainda é a vida continuar. A vida que nos arrasta e nos apaixona.
E nós, pobre de nós, que podemos fazer?
Que podemos fazer?
QUE PODEMOS FAZER?
Terça-feira, Janeiro 03, 2006
Noites de janeiro
As noites de janeiro são diferentes das outras noites. Não nas cidades , cheias de luzes barulhentas, mas no silêncio do campo. Nas noites de janeiro as estrelas brilham mais, mesmo com lua nova. Reparem bem, até nos podemos orientar por elas.
Nas noites de janeiro, os ruidos perdem o seu valor real e adquirem outro mais profundo e antiquíssimo e puro.
Ninguém fica imune a este encantamento do céu.
Foi numa noite assim, clara e fria, que tu emergiste no nosso mundo.
Para nós tu foste o primeiro e único bébé do ano!
Prabéns, maninha!
Nas noites de janeiro, os ruidos perdem o seu valor real e adquirem outro mais profundo e antiquíssimo e puro.
Ninguém fica imune a este encantamento do céu.
Foi numa noite assim, clara e fria, que tu emergiste no nosso mundo.
Para nós tu foste o primeiro e único bébé do ano!
Prabéns, maninha!
Segunda-feira, Janeiro 02, 2006
1 de Janeiro de 2006
No primeiro dia do ano levantei-me às dez e meia. No primeiro dia do ano estive em casa com o 'beethoven' e nem sequer usei o carro. No primeiro dia do ano acabei de ler o romance policial que andava a ler ja há algum tempo. No primeiro dia do ano não tomei banho no mar mas em casa, quentinho. Neste primeiro dia fiz seis voltas na camisola de lá, vi o filme 'Pearl Harbour' no AXN, dei uma corrida no parque, fiz salada de polvo para o jantar e para o dia seguinte.

