seja o que for, era melhor não ter nascido
Acho que não sei ser feliz...
Aqui estou eu nesta tarde de sol, sem saber o que hei-de dizer ou pensar ou sentir...
Por isso vou recorrer ao Fernando Pessoa. Os versos são de quem os lê, não é verdade?
...............................................
Viagei por mais terras do que aquelas em que toquei...
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse,sempre me faltou que sentir
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.
A certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me,
Penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge,
Desta estrada ás curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso,
Desta turbulência tranquila de sensações desencontradas,
Desta transfusão,desta insubsistência,desta convergência iriada,
Desta angústia no fundo de todos so prazeres,
Desta saciedade antecipada na asa de todas as chávenas,
..................................................
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto demais ou de menos,não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto de apoio na inteligência,
Consanguinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contactos, sangue sob golpes, estremeção aos ruidos,
Ou se há outra significação para isto mais cómoda e feliz.
Aqui estou eu nesta tarde de sol, sem saber o que hei-de dizer ou pensar ou sentir...
Por isso vou recorrer ao Fernando Pessoa. Os versos são de quem os lê, não é verdade?
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Viagei por mais terras do que aquelas em que toquei...
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse,sempre me faltou que sentir
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.
A certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me,
Penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge,
Desta estrada ás curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso,
Desta turbulência tranquila de sensações desencontradas,
Desta transfusão,desta insubsistência,desta convergência iriada,
Desta angústia no fundo de todos so prazeres,
Desta saciedade antecipada na asa de todas as chávenas,
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Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto demais ou de menos,não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto de apoio na inteligência,
Consanguinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contactos, sangue sob golpes, estremeção aos ruidos,
Ou se há outra significação para isto mais cómoda e feliz.

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